Como definir o pró-labore para MEI

O Microempreendedor Individual, o MEI, muitas vezes cumpre função duplas em sua empresa. Ele é ao mesmo tempo gestor e funcionário, além de ter que cuidar das contas e pagamento de encargos e impostos. Desta forma é essencial ter uma boa organização para não se esquecer de nada nem cometer erros na hora de retirar seus pró-labores.

Afinal, qual o valor ideal de retiradas mensais para o MEI? Existe um valor limite? Como não cair no erro de misturar contas pessoais com as despesas empresariais? É sobre isso que falaremos a seguir.

É importante lembrar que cabe ao MEI fazer os cálculos para o recolhimento do INSS. A emissão da guia DAS deve ser feita até todo dia 20 de cada mês. O valor a ser calculado equivale a 5% do salário mínimo, mais os tributos ISS e ICMS caso o MEI seja contribuinte desses impostos. Tudo dependerá do estado e da atividade que o MEI exerce.

MEI: como calcular pró-labore

A primeira obrigação é a do relatório mensal das receitas brutas, que sempre irá se referir ao mês anterior. Ele deverá ser feito sempre até o dia 20 do mês em vigor. Nesse relatório o MEI deverá informar todas as movimentações de entrada de dinheiro em nome da empresa.

Nesse momento é fundamental ter um bom controle de fluxo de caixa. O MEI precisa saber tudo o que entrou (lucro) e o que saiu (despesas). Se a diferença for positiva é sinal de que houve um lucro, caso contrário temos um cenário de prejuízo para a empresa.

A maior dificuldade de quem é MEI é estabelecer um valor coerente para a retirada mensal de pró-labore. Isso não deve ser algo feito sem controle. É importante que você tenha um salário para quitar suas despesas, mas sem comprometer o bom andamento do seu negócio.

O primeiro passo para estabelecer um valor coerente de pró-labore é analisar a média dos últimos três meses da empresa MEI. Veja abaixo:

Média positiva: sinal de que a empresa possui um ponto de equilíbrio entre o que gasta e o que arrecada. O pró-labore pode ser estabelecido num valor entre 60% e 80% dos lucros. A diferença, entre 40% e 20% deverá ser guardada para eventuais emergências ou investimentos em melhorias do negócio.

Média neutra: neste caso a empresa não apresentou lucros, nem prejuízos. É um sinal de que há algo de errado. Avalie seu modelo de negócio, converse com fornecedores e tente fidelizar seus clientes. Uma empresa que gera capital apenas para se manter aberta não é uma boa ideia. Neste caso o pró-labore deverá ser planejado para quando a empresa estiver em uma situação mais confortável economicamente.

Média negativa: neste caso é recomendado não efetuar retiradas de pró-labores e implementar um plano de gestão de contas. É fundamental identificar quais os problemas que estão levando sua empresa individual a operar no vermelho. Reduza gastos, negocie suas dívidas e tente ampliar sua cartela de clientes.

Outras informações importantes sobre o pró-labore do MEI

Para que você possa contar com as vantagens tributárias e gerenciais que o regime MEI oferece, é importante saber que o seu faturamento anual possui o limite de R$ 81 mil. Dessa forma o MEI não poderá ter um pró-labore maior do que R$ 6.750,00 ao mês. Acima deste valor é preciso pedir um novo enquadramento e sua empresa passará a operar dentro dos modelos tradicionais.

Muitos empresários individuais também acabam se confundindo quando o assunto é a emissão de pró-labore e da Previdência Social. Na prática o MEI não emite um recibo formal, sendo assim, a guia do INSS é feita independentemente. É recolhido o valor de 5% sobre um salário mínimo, o que dá ao empresário o direito a aposentadoria apenas por idade.

Se o MEI desejar se aposentar por tempo de contribuição, é preciso recolher uma Guia da Previdência Social (GPS) com o código de número 1910, neste caso a alíquota é de 15% sobre o salário mínimo.

4 dicas valiosas para gerenciar seus pró-labores como MEI

1 – Tenha uma data fixa

Um erro comum na hora de calcular as entradas e saídas de uma empresa MEI é a falta de uma data fixa. O ideal é que você faça esse balanço de tudo o que entrou e saiu no final do mês. Assim você terá um panorama confiável e aprenderá mais sobre como as finanças da sua empresa se comportam.

Criar um dia específico para analisar as contas também ajuda na disciplina e auxilia quem não tem muito jeito com números.

2 – Anote tudo

Todos os gastos contam. Da mais pequena despesa até gastos maiores, tudo deve ser contabilizado. Você pode usar aplicativos para gerenciar finanças ou mesmo uma boa e velha tabela do Excel.

É importante também manter um registro com todos os comprovantes de pagamento. Organize uma pasta com cada mês separado dos demais.

3 – Não misture despesas pessoais e empresariais

Delimite todas as despesas da empresa e seus gastos pessoais. Um dos maiores erros é confundir o caixa do seu negócio com o dinheiro pessoal. Estabeleça um limite claro e jamais perca o controle das contas.

4 – Crie uma reserva

O MEI é a categoria empresarial mais sensível as mudanças do mercado. Muitas vezes o empresário enfrenta períodos de baixo movimento e vê cair bruscamente o seu faturamento. O ideal é que algo entre 20% e 40% do seu lucro seja destinado para um fundo emergencial.


Precisando falar com um especialista? Mande já sua mensagem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *